The Future of Books

Maio 24, 2008

“My photographs are primarily a documentation of a  physical evolution. I have changed a common object into a sculpture in a state of flux.”  Cara Barer

Homage a Bernard

Maio 24, 2008

Há uns anos vi o Saraband de Bergman. O filme tirou-me o sono e quis escrever algo sobre a intensidade do olhar cinematográfico deste mítico realizador. Escrevi, escrevi… e no fim apaguei tudo porque, no meio de tantas palavras, não tinha dito nada. Passado pouco tempo, li a crítica que Bernard da Costa fez do filme. Dizia ele que “(Bergman) Ao acercar-se mais e mais dos quatro rostos e das quatro vozes, para além dos corpos, dá-nos a ver almas.”… e, perante esta frase, fiquei assombrada!!! dá-nos a ver almas. É preciso ser grandioso para, de forma tão simples, dizer tanto.

Para mim, escrever bem não é desfiar todas as palavras bonitas que se conhecem. Também não é usar as palavras como malabares num acto circense. A simplicidade é a forma mais agradável e difícil da escrita. Conseguir traduzir, de forma simples, ritmada e aprazível, pensamentos e eventos complexos é a consagração máxima de quem escreve (em qualquer modalidade da escrita). Foi esta a meta que Bernard, com a sua frase, me apontou. (meta longínqua, por sinal… )

Dia Mundial do Livro

Abril 23, 2008

Porque hoje é o dia mundial do livro, deixo aqui algumas frases de um dos meus livros preferidos - “Grande sertão: veredas” de J. Guimarães Rosa.

“Digo direi, de verdade: eu estava bêbado de meu. Ah, esta vida, às não-vezes, é terrível bonita, horrorosamente, esta vida é grande!”

“A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por quê, e desde aí perde o poder de continuação – porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada.”

“O diabo não há! é o que eu digo, se for… Existe é homem humano. Travessia.”

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Neste momento, em primeiro lugar na minha wishlist está The Night Life of Trees - de Bhajju Shyam, Durga Bai e Ram Singh Urveti, vencedor do Bologna Ragazzi Award for New Horizons, na Feira do Livro Infantil de Bolonha, 2008 (a mais importante do género).

Editado pela Tara Publishing, de Londres, é totalmente feito à mão, na Índia, e pelas imagens que pude ver é lindo. Segundo a editora, este livro é “um tributo à beleza do mundo natural e à inter-relação de todas as formas de vida”. Dá vontade de tocar, cheirar… e nos deixarmos espantar!

Banksy

Março 31, 2008

Os media vistos por Banksy

 

 

 

Banksy é um dos artistas mais falados do momento. Ninguém sabe ao certo quem é este homem, nascido em Bristol, provavelmente em 1974, pois ele recusa-se a dar entrevistas pessoalmente (excepção feita a alguns eleitos como Simon Hattenstone do Guardian Unlimited) e a fornecer pormenores biográficos. Ninguém sabe ao certo quem ele é mas isso também não interessa. A sua arte fala por si.

Bansky começou por ser um artista de graffiti, técnica que depressa trocou pelo stencil: “I wasn’t good at freehand graffiti, I was too slow” confessa.

Um pouco por todo o mundo, Bansky foi deixando a sua arte nas paredes das cidades por onde passou. Londres é, no entanto, a cidade “centro da acção”.

A sua obra é fortemente influenciada pelos problemas da sociedade à escala mundial, nomeadamente questões como a guerra, o poder, a autoridade e o capitalismo. Ratazanas, soldados, polícias e crianças, são alguns dos elementos/personagens recorrentes que o artista usa para passar as suas mensagens de forte carga política.

A sua obra é inserida no movimento a que se chama arte de guerrilla. Este é um tipo de arte geralmente interventivo e comprometido com valores sociais sobre os quais pretende fazer reflectir. (No entanto, alguns artistas apenas usam as suas obras de guerrilla para auto-promoção.) As obras são realizadas e deixadas para “apreciação” em espaços públicos causando assim alguma surpresa nos transeuntes. A rua torna-se o espaço de exposição, o museu ou galeria.

Tão interessantes como os seus “desenhos” são as suas (outras) intervenções artísticas. Em 2004 colocou uma Mona Lisa alterada no Louvre. Em 2005, Banksy colocou outras obras de arte subversivas em quatro museus de Nova Iorque e na galeria Tate, em Londres. Em 2006 trocou 500 cds de Paris Hilton por cópias alteradas (que são hoje bem mais caras do que os originais). No mesmo ano, em Setembro, o artista colocou um boneco insuflável, vestido como um prisioneiro de Guantánamo, na Disneylândia. E estes são apenas alguns exemplos(ver site oficial).

Arte?
Muita gente rotula a sua arte de puro vandalismo. Apesar de pessoalmente discordar de tais afirmações serve a crítica para relançar questões (algumas tão antigas como o próprio homem) como: o que é arte?; onde acabava o vandalismo e começa a arte?; serão os museus (e instituições do género) quem dita o que é arte ou não? Etc…

A verdade é que o (estranho) mercado da arte já se rendeu a Banksy. As suas obras têm atingindo valores surpreendentes. A sua popularidade não se esgota na qualidade das obras. A facilidade de leitura das suas “mensagens” é, provavelmente o grande factor que o catapultou para a fama. Em Fevereiro de 2007, os donos de uma casa que Banksy tinha “vandalizado” decidiram vendê-la. Acabaram foi por vender o mural, que veio com uma casa atracada. A câmara de Bristol também já determinou a preservação de todas as obras de Banksy na cidade. “Estamos cientes de que ele é bastante valioso e temos instruções específicas para que nenhum mural de Banksy seja removido”, afirmou Gary Hopkins, do conselho municipal de Bristol.

 

Portfolio ou Porta-Fólio?

Março 23, 2008

Portfolio é uma palavra inglesa que se introduziu nas nossas língua e vivências. Algumas tentativas de “aportuguesar” o vocábulo levaram ao surgimento de formas como portefólio, portfólio, etc. Mas a palavra correspondente em português existe e é Porta-fólio. O ciberdúvidas explica:

 “Porta-fólio. É assim que a palavra deve ser escrita, tal como porta-moedas, porta-chaves e porta-aviões. É assim, aliás, que os dicionários a registam, atribuindo-lhe o sentido de pasta de cartão onde se guardam papéis, com origem no francês “portefeuille” (carteira). Por sua vez, o francês foi buscá-la às formas latinas portare (levar, conter, suportar) + folliu- (folha).

A forma e o conteúdo que hoje se dão correntemente à palavra - «portfólio» = conjunto de exemplares representativos da obra de um artista plástico ou de um gráfico - fazem-me suspeitar da sua reimportação através do inglês.”  T.A.

Eu vou continua a usar a palavra em inglês. Talvez não seja a opção mais correcta mas, e uma vez que a língua é feita de e para os seus utentes, será a comummente melhor aceite. A Língua, como o novo acordo ortográfico vem reforçar, é algo orgânico, em constante mutação. Mesmo quando parece imóvel, do ponto de vista efémero do tempo de uma vida, ela muda para melhor servir o seu propósito. Esse propósito é proporcionar a compreensão recíproca entre os seus vários utilizadores. Desde sempre, e com maior expressão nesta fase de globalização, as diversas Línguas do mundo entrecruzam-se e influenciam-se entre si. As línguas francas, hoje a inglesa, marcam de forma mais vincada os outros idiomas do mundo. Isso não é submissão, é evolução e apropriação.

Pequim 2008

Março 23, 2008

pequim.jpg

Ithaca

When you set out on your journey to Ithaca,
pray that the road is long,
full of adventure, full of knowledge.
The Lestrygonians and the Cyclops,
the angry Poseidon — do not fear them:
You will never find such as these on your path,
if your thoughts remain lofty, if a fine
emotion touches your spirit and your body.
The Lestrygonians and the Cyclops,
the fierce Poseidon you will never encounter,
if you do not carry them within your soul,
if your soul does not set them up before you.

Pray that the road is long.
That the summer mornings are many, when,
with such pleasure, with such joy
you will enter ports seen for the first time;
stop at Phoenician markets,
and purchase fine merchandise,
mother-of-pearl and coral, amber and ebony,
and sensual perfumes of all kinds,
as many sensual perfumes as you can;
visit many Egyptian cities,
to learn and learn from scholars.

Always keep Ithaca in your mind.
To arrive there is your ultimate goal.
But do not hurry the voyage at all.
It is better to let it last for many years;
and to anchor at the island when you are old,
rich with all you have gained on the way,
not expecting that Ithaca will offer you riches.

Ithaca has given you the beautiful voyage.
Without her you would have never set out on the road.
She has nothing more to give you.

And if you find her poor, Ithaca has not deceived you.
Wise as you have become, with so much experience,
you must already have understood what Ithacas mean.

Konstantinos Petrou Kavafis