Banksy
Março 31, 2008

Os media vistos por Banksy
Banksy é um dos artistas mais falados do momento. Ninguém sabe ao certo quem é este homem, nascido em Bristol, provavelmente em 1974, pois ele recusa-se a dar entrevistas pessoalmente (excepção feita a alguns eleitos como Simon Hattenstone do Guardian Unlimited) e a fornecer pormenores biográficos. Ninguém sabe ao certo quem ele é mas isso também não interessa. A sua arte fala por si.
Bansky começou por ser um artista de graffiti, técnica que depressa trocou pelo stencil: “I wasn’t good at freehand graffiti, I was too slow” confessa.
Um pouco por todo o mundo, Bansky foi deixando a sua arte nas paredes das cidades por onde passou. Londres é, no entanto, a cidade “centro da acção”.
A sua obra é fortemente influenciada pelos problemas da sociedade à escala mundial, nomeadamente questões como a guerra, o poder, a autoridade e o capitalismo. Ratazanas, soldados, polícias e crianças, são alguns dos elementos/personagens recorrentes que o artista usa para passar as suas mensagens de forte carga política.
A sua obra é inserida no movimento a que se chama arte de guerrilla. Este é um tipo de arte geralmente interventivo e comprometido com valores sociais sobre os quais pretende fazer reflectir. (No entanto, alguns artistas apenas usam as suas obras de guerrilla para auto-promoção.) As obras são realizadas e deixadas para “apreciação” em espaços públicos causando assim alguma surpresa nos transeuntes. A rua torna-se o espaço de exposição, o museu ou galeria.
Tão interessantes como os seus “desenhos” são as suas (outras) intervenções artísticas. Em 2004 colocou uma Mona Lisa alterada no Louvre. Em 2005, Banksy colocou outras obras de arte subversivas em quatro museus de Nova Iorque e na galeria Tate, em Londres. Em 2006 trocou 500 cds de Paris Hilton por cópias alteradas (que são hoje bem mais caras do que os originais). No mesmo ano, em Setembro, o artista colocou um boneco insuflável, vestido como um prisioneiro de Guantánamo, na Disneylândia. E estes são apenas alguns exemplos(ver site oficial).
Arte?
Muita gente rotula a sua arte de puro vandalismo. Apesar de pessoalmente discordar de tais afirmações serve a crítica para relançar questões (algumas tão antigas como o próprio homem) como: o que é arte?; onde acabava o vandalismo e começa a arte?; serão os museus (e instituições do género) quem dita o que é arte ou não? Etc…
A verdade é que o (estranho) mercado da arte já se rendeu a Banksy. As suas obras têm atingindo valores surpreendentes. A sua popularidade não se esgota na qualidade das obras. A facilidade de leitura das suas “mensagens” é, provavelmente o grande factor que o catapultou para a fama. Em Fevereiro de 2007, os donos de uma casa que Banksy tinha “vandalizado” decidiram vendê-la. Acabaram foi por vender o mural, que veio com uma casa atracada. A câmara de Bristol também já determinou a preservação de todas as obras de Banksy na cidade. “Estamos cientes de que ele é bastante valioso e temos instruções específicas para que nenhum mural de Banksy seja removido”, afirmou Gary Hopkins, do conselho municipal de Bristol.