Homage a Bernard

Maio 24, 2008

Há uns anos vi o Saraband de Bergman. O filme tirou-me o sono e quis escrever algo sobre a intensidade do olhar cinematográfico deste mítico realizador. Escrevi, escrevi… e no fim apaguei tudo porque, no meio de tantas palavras, não tinha dito nada. Passado pouco tempo, li a crítica que Bernard da Costa fez do filme. Dizia ele que “(Bergman) Ao acercar-se mais e mais dos quatro rostos e das quatro vozes, para além dos corpos, dá-nos a ver almas.”… e, perante esta frase, fiquei assombrada!!! dá-nos a ver almas. É preciso ser grandioso para, de forma tão simples, dizer tanto.

Para mim, escrever bem não é desfiar todas as palavras bonitas que se conhecem. Também não é usar as palavras como malabares num acto circense. A simplicidade é a forma mais agradável e difícil da escrita. Conseguir traduzir, de forma simples, ritmada e aprazível, pensamentos e eventos complexos é a consagração máxima de quem escreve (em qualquer modalidade da escrita). Foi esta a meta que Bernard, com a sua frase, me apontou. (meta longínqua, por sinal… )

Portfolio ou Porta-Fólio?

Março 23, 2008

Portfolio é uma palavra inglesa que se introduziu nas nossas língua e vivências. Algumas tentativas de “aportuguesar” o vocábulo levaram ao surgimento de formas como portefólio, portfólio, etc. Mas a palavra correspondente em português existe e é Porta-fólio. O ciberdúvidas explica:

 “Porta-fólio. É assim que a palavra deve ser escrita, tal como porta-moedas, porta-chaves e porta-aviões. É assim, aliás, que os dicionários a registam, atribuindo-lhe o sentido de pasta de cartão onde se guardam papéis, com origem no francês “portefeuille” (carteira). Por sua vez, o francês foi buscá-la às formas latinas portare (levar, conter, suportar) + folliu- (folha).

A forma e o conteúdo que hoje se dão correntemente à palavra – «portfólio» = conjunto de exemplares representativos da obra de um artista plástico ou de um gráfico – fazem-me suspeitar da sua reimportação através do inglês.”  T.A.

Eu vou continua a usar a palavra em inglês. Talvez não seja a opção mais correcta mas, e uma vez que a língua é feita de e para os seus utentes, será a comummente melhor aceite. A Língua, como o novo acordo ortográfico vem reforçar, é algo orgânico, em constante mutação. Mesmo quando parece imóvel, do ponto de vista efémero do tempo de uma vida, ela muda para melhor servir o seu propósito. Esse propósito é proporcionar a compreensão recíproca entre os seus vários utilizadores. Desde sempre, e com maior expressão nesta fase de globalização, as diversas Línguas do mundo entrecruzam-se e influenciam-se entre si. As línguas francas, hoje a inglesa, marcam de forma mais vincada os outros idiomas do mundo. Isso não é submissão, é evolução e apropriação.